NABO
O nabo (Brassica rapa L.) pertence à família botânica Brassicaceae como a couve-flor, a couve, o brócolo, o agrião e o rabanete.
Acredita-se que a origem do nabo deriva de plantas silvestres que cresciam no norte da Europa e Escandinávia, embora também possam ser originárias da Ásia Central.
Desde há mais de 4.000 anos foi um alimento básico para alguns grupo étnicos na Europa, especialmente antes de introduzir a batata no continente.
Cultivo
O solo deve ser bem drenado, fértil, rico em matéria orgânica, sem pedras e outros detritos, crescendo melhor com pH entre 6 e 7. O nabo cresce bem em temperaturas entre 15°C e 22°C, mas suporta temperaturas mais baixas e geadas leves. O terreno deve ser trabalhado de forma a permitir um desenvolvimento uniforme da raiz, devendo a camada superficial ser regularizada e esmiuçada para permitir uma germinação uniforme.
Deve ser semeado entre julho e outubro, para a produção de outono-inverno, e entre março e abril, para colheita no verão. Atinge um altura de cerca de 20-30 cm, sendo muito sensível à carência de boro.
É uma planta bienal, cultivada como anual. Cultivada pelas suas raízes (nabo), folhas (nabiças) ou inflorescência (grelos). As nabiças e o nabo crescem durante a fase vegetativa do ciclo de vida da planta, enquanto os grelos se desenvolvem na fase reprodutiva. O sistema radicular do nabo é aprumado, carnudo devido à acumulação de reservas e pode assumir diversas formas, consoante as variedades.
A raiz pode ter coloração uniforme ou bicolor, sendo o branco e o roxo as cores mais comuns. O nabo, a nabiça e os grelos são normalmente apresentados no mercado em fresco e consumidos depois de cozinhados.
A colheita do nabo é realizada entre 40 e 80 dias após a sementeira, dependendo da cultivar utilizada e das condições de cultivo. O atraso na colheita pode tornar as raízes lenhosas com o decorrer do tempo, com a exceção de algumas cultivares que podem ser colhidas tardiamente sem perda de qualidade.
Para proteção da cultura, recomenda-se o respeito pelas rotações, importantes para evitar os ataques de pragas de potra, falsa-potra e a mosca-da-couve.
Exemplos de precedentes culturais favoráveis: Cebola, alho, batata, tomate, beringela, melão e abóbora.
Precedentes culturais não favoráveis: todas as couves.
Exemplos de consociação favorável: Aipo, feijão-verde, tomate, cenoura, alface, ervilha.
Variedades:
- Nabo Bola de Neve: nabo redondo, pequeno.
- Nabo Bola de Ouro: redondo, amarelo dourado, tamanho médio.
- Nabo Branco Globo: nabo de polpa branca e compacta, forma oval ou globosa.
- Nabo Branco Plano Precoz: de forma discoidal, polpa tenra.
- Nabo Redondo Virtudes: nabo de raíz cilíndrica terminada em ponta.
- Nabo Croissy: longo, branco, precoz.
- Nabo Negro Alsacia: nabo longo, casca preta mas polpa branca.
- Nabo Chidre de Boi: longo, têm a cor da pele de boi na parte da raiz que fica por fora da terra, a raiz enterrada é branca.
- Nabo Milão: raiz achatada, pescoço violeta e parte enterrada branca.
CURIOSIDADES
Para uma correta conservação dos nabos, é preferível separar a raiz das folhas. Deverão conservar-se em câmaras de refrigeração, por um período de uma a três semanas. Além disso, não é aconselhável lavar os nabos até serem consumidos para evitar a perda de nutrientes.
Do ponto de vista nutritivo, destaca-se o elevado teor das nabiças em vitamina A e C e em cálcio. O nabo é um vegetal com um teor energético muito baixo, com aproximadamente 27 kcal/100 g.
Na tradição popular, o Halloween é associado à escultura de lanternas de nabo, em vez das tradicionais abóboras.
Os principais produtores são o Canadá, Estados Unidos, Austrália, China e Índia.
O nabo, apesar de ser um alimento simples, tem uma série de curiosidades interessantes associadas a tradições, crenças e até superstições, algumas das quais são surpreendentes. Aqui estão algumas relacionadas a diversos contextos, incluindo religiosos e populares:
Relação com o Halloween: O nabo tem uma ligação curiosa com a origem do Halloween. Na Irlanda e Escócia, antes da popularização da abóbora, esculpiam-se nabos para fazer lanternas, que eram usadas para afastar os maus espíritos. Estas lanternas eram chamadas de Jack-o'-Lanterns, nome derivado da lenda de "Stingy Jack", um espírito errante que, segundo a crença, foi condenado a vaguear com uma lanterna feita de um nabo esculpido.
Simbologia da fertilidade: Em algumas culturas europeias, o nabo era associado à fertilidade. Durante festas pagãs, particularmente nos antigos rituais de celebração do outono, o nabo era utilizado em cerimónias para assegurar uma boa colheita e fertilidade tanto para os campos como para as pessoas.
Superstições rurais: Em certas áreas rurais da Europa, acreditava-se que pendurar nabos à entrada de casa protegia os habitantes de doenças e infortúnios. Esta prática estava ligada à ideia de que o nabo, por ser uma raiz forte e resistente, transmitiria essas características aos moradores da casa.
Nabo como símbolo de humildade e simplicidade: Na literatura e nos ensinamentos cristãos da Idade Média, o nabo foi, em algumas instâncias, usado como símbolo de humildade. Em contraste com as frutas ou alimentos mais "luxuosos", o nabo, sendo uma raiz modesta e fácil de cultivar, era visto como alimento para os pobres, e o seu consumo era, por vezes, associado à virtude da simplicidade.
Obrigado e Boas Plantações!!!
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